
No programa desta semana do Minuto Estética, no TMTM, algumas perguntas que recebi dos telespectadores chamaram especialmente a minha atenção. São dúvidas que escuto quase todos os dias na minha sala de atendimento: pele oleosa precisa de hidratação? É possível chegar aos 65 anos com uma pele melhor do que aos 55? Por que as espinhas deixam manchas? E por que se fala tanto em protetor solar com cor?
Por trás de cada uma dessas questões existe muita fisiologia, prevenção e, principalmente, a necessidade de entender que cuidar da pele não significa simplesmente escolher um cosmético na prateleira. É preciso compreender o que a sua pele está tentando mostrar.
Como o tempo na TV voa, decidi trazer para esta matéria uma análise mais aprofundada sobre esses quatro grandes pilares do skincare.

A resposta direta é: sim, absolutamente.
Pele oleosa precisa de hidratação porque oleosidade e água são coisas completamente diferentes. Esse é um dos maiores equívocos que ainda encontro no meu dia a dia. A oleosidade está relacionada à produção de sebo pelas glândulas sebáceas, enquanto a hidratação diz respeito à quantidade de água disponível e à capacidade da barreira cutânea de reter essa água. Portanto, uma pele pode produzir muito óleo e, ao mesmo tempo, estar desidratada.
Quando alguém percebe o rosto oleoso e começa a lavar excessivamente com sabonetes agressivos, o resultado imediato pode até parecer agradável, mas isso compromete a barreira de proteção da pele. Em peles acneicas, o uso de ativos como ácido salicílico ou peróxido de benzoíla sem a devida hidratação causa ressecamento, irritação e sensibilidade. A própria American Academy of Dermatology reforça o uso de hidratantes em peles com acne exatamente para aumentar a tolerância aos tratamentos.
O segredo não é fugir do hidratante, mas escolher texturas leves (séruns, fluidos ou géis) e fórmulas não comedogênicas com ativos como ácido hialurônico, glicerina, pantenol e niacinamida. O sebo tem uma função fisiológica protetora; o objetivo não é travar uma guerra contra ele, mas sim buscar o equilíbrio. Pele oleosa não precisa ser castigada, precisa ser equilibrada.

Minha resposta é um entusiástico sim. É perfeitamente possível melhorar — e muito — a qualidade, a firmeza e a luminosidade da sua pele ao longo dos próximos dez anos.
No entanto, gosto de ser muito honesta: não prometo uma pele sem absolutamente nenhuma mancha ou com aparência de 30 anos. Trabalhamos para ter uma pele de 65 anos saudável, uniforme, firme e bem cuidada.
Embora o envelhecimento cronológico seja inevitável (e acentuado pelas alterações hormonais da menopausa), o fotoenvelhecimento — provocado pela exposição solar acumulada — é algo sobre o qual podemos interferir diretamente. O sol degrada o colágeno e acelera o aparecimento de rugas, flacidez e pigmentação.
Para tratar essa pele, o primeiro passo é ter um diagnóstico correto. Nem toda mancha é melasma (podem ser lentigos solares ou hiperpigmentação pós-inflamatória). Atenção: qualquer lesão nova, que mude de formato, coce ou sangre deve ser avaliada por um dermatologista antes de qualquer procedimento estético.
Após o diagnóstico, a estratégia vai além de apenas "passar um ácido". Associamos fotoproteção, renovação celular, ativos despigmentantes e procedimentos como peelings e microagulhamento, sempre com foco em estimular colágeno e preservar a barreira da pele. Mas lembre-se: a base de tudo é o protetor solar diário. A pele que você terá aos 65 anos começa a ser construída hoje.

Nem toda marca deixada pela acne é uma cicatriz. Na maioria das vezes, a marca escura acastanhada é a hiperpigmentação pós-inflamatória.
Durante o processo inflamado da acne, o organismo estimula a produção e alteração de distribuição da melanina naquela região. Quando a espinha vai embora, o pigmento fica — e pode durar meses ou até anos na pele.
Por isso, reforço sempre um conselho valioso: não esprema as espinhas. Quanto maior o trauma e a inflamação, maior será a chance de restar uma marca profunda.
O tratamento da hiperpigmentação precisa atuar em duas frentes simultâneas: controlar a acne ativa e tratar a pigmentação residual. De nada adianta clarear uma mancha se novas lesões inflamatórias continuarem surgindo. Ativos como ácido azelaico, retinoides, niacinamida e hidroxiácidos são ótimos aliados, desde que usados sem agressão excessiva. Peelings muito fortes em uma pele irritada podem causar o efeito reverso e gerar ainda mais manchas.

A cor no protetor solar vai muito além da estética ou da substituição da base de maquiagem.
Os protetores comuns cobrem a radiação ultravioleta (UVA e UVB). Porém, hoje a literatura científica já comprovou que a luz visível (emitida pelo sol e até por fontes artificiais) também estimula a produção de pigmentos na pele, especialmente em quem tem melasma ou fototipos mais altos.
É aqui que entram os protetores com cor: eles utilizam pigmentos (geralmente à base de óxidos de ferro) que funcionam como uma barreira física real contra a luz visível. Estudos clínicos mostram que pacientes com melasma que utilizam fotoprotetores com proteção contra luz visível obtêm um controle do clareamento significativamente superior em comparação aos que usam apenas o filtro sem cor.
Para garantir essa eficiência, atente-se ao FPS adequado, à ampla proteção UVA/UVB e, claro, à aplicação e reaplicação na quantidade correta. O clareamento da pele começa, antes de tudo, na proteção diária.
Todas essas dúvidas chegam a uma mesma conclusão: cuidar da pele não é seguir receitas prontas de redes sociais ou acumular produtos no armário. Na minha prática estética, acredito que o caminho é entender a causa por trás do sintoma antes de escolher o cosmético.
Uma pele bonita não é uma pele irreal, sem poros ou sem linhas de expressão. É uma pele saudável, equilibrada e protegida no seu ritmo e na sua maturidade.
Acompanhe o Minuto Estética!
Adorei compartilhar essas dicas com vocês! Convido todos a assistirem ao nosso próximo Minuto Estética no programa TMTM. Vamos continuar desmistificando os cuidados com a pele, trazendo respostas diretas e muita ciência prática para o seu dia a dia. Espero vocês no próximo episódio!
Nota: Este conteúdo tem caráter informativo. Alterações pigmentadas novas, persistentes ou com alterações de formato, cor, tamanho, coceira ou sangramento devem ser avaliadas por um médico dermatologista.