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Saúde LGBTQIA+: cuidado contínuo exige jornada permanente
Dados indicam que a saúde LGBTQIA+ ainda enfrenta discriminação, despreparo profissional e barreiras estruturais. Dr. Rodrigo Barbosa, idealizador ...
16/01/2026 14h52
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A população LGBTQIA+ enfrenta discriminação recorrente nos atendimentos de saúde, com condutas inadequadas de profissionais, ausência de acolhimento e omissão de cuidado, segundo um relatório da Agenda Mais SUS: Evidências e Caminhos para Fortalecer a Saúde Pública no Brasil, publicado em 2023.

O documento aponta que a maioria dessa população evita procurar serviços de saúde por medo de sofrer violência, e destaca o desconhecimento das demandas específicas da população, além de práticas generalistas que ignoram as diferenças históricas, sociais e culturais que atravessam esses grupos.

Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião do aparelho digestivo, especialista em cirurgia bariátrica e coloproctologia, fundador do Instituto Medicina em Foco e idealizador do Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD), aponta que é fundamental pensar na saúde da população LGBTQIA+ como uma jornada contínua.

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"A saúde LGBTQIA+ não pode ser apenas uma pauta no mês da visibilidade e o zelo deve ir além do discurso. Trata-se de uma população que, historicamente, enfrenta exclusões, violências e silenciamentos dentro do próprio sistema de saúde. Pensar em uma jornada contínua significa garantir acesso permanente, cuidado especializado e escuta ativa todos os dias do ano.", declara o médico.

Segundo o especialista, os principais desafios enfrentados por pessoas LGBTQIA+ no acesso a serviços de saúde atualmente são o preconceito institucional, a falta de preparo técnico das equipes, o uso de linguagem inadequada, a negligência no atendimento e o desconhecimento das demandas específicas, como hormonização, saúde sexual ou saúde ginecológica de pessoas transmasculinas.

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Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), feito com pessoas acima de 50 anos, apontou que 31% dos idosos LGBTQIA+ estão no pior nível de acesso à saúde, frente a 18% dos não-LGBTQIA+. A pesquisa também identificou maior prevalência de depressão no grupo, 37% contra 28%, e percepção generalizada de despreparo dos profissionais para lidar com questões LGBT.

Acolhimento especializado

A Dra. Isabela Tavares, otorrinolaringologista especialista em glotoplastia de Wendler, reforçan que o acolhimento genuíno é o ponto de partida para qualquer jornada de transformação. "Quando a paciente se sente segura para falar de si — sem medo, vergonha ou julgamentos — conseguimos promover não só uma mudanção estética da voz, mas um impacto profundo na autoestima, saúde mental e emocional.", explica.

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Coordenadora de Cuidado à Fala do Instituto Medicina em Foco, Isabela atua com a fonoaudióloga Dra. Daniella Gali, especialista em feminilização vocal e reabilitação pós-cirúrgica. Juntas, buscam oferecer um atendimento técnico, humanizado e personalizado, que respeita a identidade e as vivências de cada paciente.

"A voz está diretamente ligada à autoestima. Para muitas mulheres trans e pessoas não binárias, ela ainda é motivo de sofrimento e insegurança. Quando construímos um espaço de escuta ativa, onde o nome e o pronome são respeitados desde o primeiro contato, o tratamento se torna uma ferramenta real de libertação.", ressalta Dra. Isabela.

De acordo com a especialista, a abordagem centrada na pessoa, com protocolos clínicos adaptados e equipe multiprofissional treinada, amplia a adesão ao tratamento e contribui para diagnósticos mais precisos, melhor recuperação pós-operatória e bem-estar integral.

"Cuidar da voz vai muito além da técnica. É sobre validar identidades, devolver confiança e fazer com que cada pessoa se reconheça ao se ouvir. Isso transforma vidas.", complementa a Dra. Isabela Tavares.

Apesar dos avanços em políticas públicas como os ambulatórios trans e a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, as especialistas reforçam que ainda faltam estrutura, financiamento e preparo técnico em muitos serviços — tanto públicos quanto privados.

Para elas, a mudança real começa quando os espaços de saúde deixam de tratar a diversidade como um diferencial e passam a vê-la como valor inegociável. "É nesse propósito que o Instituto Medicina em Foco busca investir em capacitação contínua e no fortalecimento de um time que escuta, respeita e acolhe.", afirmam. 

Núcleo de Acolhimento à Diversidade (NUAD)

A otorrinolaringologista especialista em voz revela que o foco do NUAD está em reconstruir a relação de confiança entre o paciente LGBTQIA+ e o sistema de saúde, por meio de formação continuada dos profissionais, escuta ativa e protocolos adaptados. 

"O objetivo é que cada profissional, independentemente da função, entenda que inclusão não é um gesto simbólico, mas uma competência técnica e ética.", esclarece a Dra. Isabela ao lado da Dra. Antonela Siqueira, endocrinologista especialista em hormonização. 

Entre as estratégias utilizadas para capacitar a equipe multiprofissional a oferecer um atendimento humanizado e inclusivo estão rodas de conversa com pacientes, escuta interna ativa com a equipe e aplicação de materiais de referência nacionais e internacionais em formações internas periódicas – com foco em identidade de gênero, orientação sexual, interseccionalidades e protocolos clínicos adaptados.

"A existência do NUAD busca reforçar nosso compromisso com uma saúde que respeita a pluralidade humana. Sabemos que, para muitas pessoas LGBTQIA+, ir ao médico ainda é um ato de coragem. Nosso foco é transformar isso em algo cotidiano, seguro e leve. O cuidado só é completo quando é diverso.", declara a endocrinologista.

O acolhimento especializado em saúde LGBTQIA+ é apontado por especialistas como fator central para adesão ao cuidado e redução do sofrimento psíquico, especialmente em populações historicamente excluídas do sistema de saúde.